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Indústria de transformação em 2026

Alerta para móveis

A CNI passou a prever queda de 0,7% da indústria de transformação em 2026. Entenda como a revisão do cenário econômico se relaciona com a produção de móveis, o crédito e as decisões de fabricantes, fornecedores e varejistas para 2027.

Revisão das projeções da CNI aponta retração de 0,7% na indústria de transformação e reforça a necessidade de rever as premissas do planejamento de 2027. Para móveis e colchões, o desafio é transformar indicadores econômicos em decisões sobre crédito, investimentos e demanda.

A indústria de transformação em 2026 pode encerrar o ano em retração, contrariando a expectativa de crescimento que predominava até poucos meses atrás. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou sua projeção para o segmento de uma expansão de 0,6%, estimada em julho, para uma queda de 0,7%, conforme o Informe Conjuntural do terceiro trimestre, divulgado em 28 de outubro.

A mudança representa uma revisão negativa de 1,3 ponto percentual e merece atenção de fabricantes de móveis e colchões, fornecedores de matérias-primas, componentes e equipamentos, além do varejo especializado.

Entretanto, é necessário fazer uma distinção: a previsão da CNI refere-se ao conjunto da indústria de transformação brasileira. Ela não significa que a fabricação de móveis necessariamente encerrará 2026 com a mesma retração.

O sinal mais importante está em outro aspecto. A piora das perspectivas econômicas modifica as premissas utilizadas pelas empresas para projetar vendas, organizar investimentos, negociar prazos e preparar seus orçamentos para 2027.

Mais do que antecipar um resultado negativo, a revisão da CNI exige uma pergunta: até que ponto os planos empresariais para o próximo ano continuam sustentados por expectativas que já perderam força?

A revisão da CNI muda a leitura da economia

A redução das expectativas não ficou restrita à indústria de transformação.

A CNI também diminuiu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2,0% para 1,6% em 2026. Para a indústria como um todo, a estimativa de expansão passou de 2,0% para 1,3%.

Ao mesmo tempo, a entidade projeta inflação medida pelo IPCA de 5,15% e taxa Selic de 13,25% ao final do ano.

Esses resultados apontam para uma economia que ainda cresce, mas com desempenho desigual entre os setores.

Enquanto a indústria extrativa tem expansão prevista de 9,1%, a indústria de transformação enfrenta condições menos favoráveis. A CNI destaca, entre os fatores que explicam o cenário, o enfraquecimento da demanda interna, as condições financeiras restritivas, os custos de produção e a concorrência de importados.

Portanto, o ponto central não é simplesmente afirmar que a economia brasileira está desacelerando. É reconhecer que as atividades mais dependentes do consumo doméstico e do financiamento enfrentam dificuldades distintas daquelas observadas em setores menos sensíveis ao crédito.

POSTADO EM 05/11/2026